A vacina contra a clamídia mostra resultados encorajadores

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As mulheres alguma vez serão capazes de vacinar contra a infecção por clamídia, uma doença sexualmente transmissível comum que por vezes torna as pessoas inférteis? O trabalho preliminar sobre uma vacina produziu resultados encorajadores, embora ainda haja um longo caminho a percorrer, de acordo com um estudo publicado terça-feira.

p>Publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, o trabalho mostra que uma vacina em desenvolvimento é “segura e capaz de desencadear uma resposta imunitária”.

Mas embora esta evidência seja “encorajadora”, ainda se encontra numa fase muito preliminar: será de facto necessária mais investigação “para determinar se a resposta imunitária provocada protege eficazmente contra a infecção por clamídia”, diz o estudo.

Esta é a primeira vacina contra esta infecção bacteriana a ser testada num ensaio clínico (está na fase 1, a fase mais preliminar).

Cada ano, 131 milhões de pessoas em todo o mundo ficam infectadas com a bactéria clamídia, de acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estas estimativas podem ser subestimadas, uma vez que cerca de 70% das mulheres infectadas não apresentam sintomas e desconhecem que contraíram esta infecção sexualmente transmissível (DST).

É mais comum em mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos do que em homens da mesma idade. Nas mulheres, pode levar a complicações graves, incluindo inflamações pélvicas, gravidezes ectópicas e até infertilidade.

p>Além disso, aumenta o risco de contrair outras DSTs, tais como gonorreia ou infecção pelo VIH, o vírus da SIDA.

Antibióticos

Infecção por clamídia pode ser curada com tratamento antibiótico.

Mas “dado o impacto desta epidemia na saúde da mulher, na saúde reprodutiva, na saúde das crianças em caso de transmissão (…), há uma necessidade real de uma vacina”, diz um dos autores do estudo, o Professor Peter Andersen do instituto de investigação dinamarquês Statens Serum Institut.

Os investigadores realizaram o estudo em 35 mulheres que não tinham sido infectadas com clamídia, utilizando duas formulações diferentes da vacina.

Quinze mulheres receberam uma das formulações (administrada em cinco injecções, através de injecções no braço e depois pulverizações no nariz), outras 15 receberam a segunda (também em cinco injecções), e as últimas cinco receberam um placebo.

Todas as formulações da vacina suscitaram uma resposta imunitária (isto é, produção de anticorpos) em todas as mulheres testadas.

Por tudo isso, o desempenho da primeira formulação foi melhor, uma vez que produziu mais anticorpos. Foi portanto escolhido para mais investigação.

“Embora sejam necessários muitos mais anos de investigação, planeamos passar à fase seguinte, o estudo clínico da fase 2”, explicou uma das cientistas, Helene B. Juel.

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