Estudos médicos: entre numerus claususus e critérios de selecção, como é que a França se compara com outros países?

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A formação médica em França é uma das melhores do mundo, principalmente devido aos muitos anos de prática necessários para a obtenção de um diploma médico. Mas e o resto do mundo?

A formação médica em França é uma das melhores do mundo, principalmente devido aos muitos anos de prática necessários para se formar como médico.

O numerus claususus define o número de lugares no segundo ano de estudos médicos

Fixado em França em 1971 pelo governo francês através de Simon Veil, o numerus clausus define o número de lugares disponíveis para estudantes de medicina, odontologia, farmácia e escolas de obstetrícia. Na Europa, apenas a Bélgica e Portugal ainda adoptam este método de acesso. Assim, após passarem o bacharelato, os estudantes inscritos no primeiro ano de medicina PACES (primeiro ano comum aos estudos de saúde) passam no final do ano um concurso nacional dando acesso ao segundo ano de estudos na condição de fazerem parte dos estudantes retidos no numerus clausus.

A fim de aliviar a escassez de médicos, especialmente nas zonas rurais, o numerus clausus continuou a aumentar progressivamente ao longo dos anos passando assim de 6.000 para 8.000 lugares. A questão da abolição do numerus claususus está ainda a ser debatida. Algumas opiniões propõem uma regionalização deste numerus claususus em vez da sua abolição a fim de homogeneizar a distribuição de médicos no território francês.

Os outros países europeus (por exemplo, a Alemanha) estabelecem outros critérios para permitir o acesso aos estudos médicos: média obtida no bacharelato, tempo de espera e testes de selecção por entrevista nas faculdades. O princípio é que todos devem ter acesso à formação. O número de estudantes é fixado pelos funcionários da educação de acordo com os lugares oferecidos nas faculdades e não de acordo com a necessidade futura de médicos.

Em Itália, o acesso é determinado pela aprovação no bacharelato, bem como por um teste de admissão.

Começos ainda mais difíceis nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o acesso a uma escola de medicina é ainda mais difícil, uma vez que apenas os titulares de um diploma de bacharelato (Bac+4) de uma universidade americana acreditada podem entrar. Estes anos de estudo representam o equivalente a um currículo “pré-med”. Entre as 32 disciplinas do bacharelato, o estudante deve inserir uma dúzia de cursos obrigatórios (matemática e ciências).

Seguindo este currículo, o futuro estudante deve passar um exame nacional bem como um ensaio, ser recomendado por um comité consultivo e ser aceite após uma entrevista com um comité de admissão.

Esquema do curso de estudos de 3 ciclos

Em França, o curso universitário de medicina é dividido em 3 ciclos de estudos. O primeiro ciclo inclui o primeiro ano comum aos estudos de saúde (PACES), bem como o segundo ano de estudos médicos. O segundo ciclo inclui 4 anos de estudo (DCEM). No final do segundo ciclo, os estudantes são submetidos a um exame nacional que lhes permite chegar ao terceiro ciclo. De acordo com a sua classificação, a sua escolha e o número de lugares de estágio disponíveis, os estudantes escolhem uma das especialidades entre 30 especialidades médicas.

O terceiro ciclo de estudos médicos tem uma duração variável de acordo com a especialidade escolhida (3 a 5 anos para um DES e 2 a 3 anos para um DESC que é de facto uma subespecialidade).

Este esquema é quase o mesmo na maioria das escolas médicas. Contudo, a duração da formação de algumas especialidades médicas pode variar um pouco.

Mais e mais graus estrangeiros

Cada vez mais estudantes vão para o estrangeiro para escapar ao estrangulamento representado pelo numerus claususus francês.

Quase 500 estudantes deixam a França para se inscreverem em medicina na Roménia, onde os cursos são ministrados em francês. O mesmo é válido para a Letónia e Croácia.

p>Não há falta de ideias para reformar os estudos médicos no nosso país.
Porque a formação médica ministrada continua a ser altamente criticada em França, particularmente devido à dificuldade. De facto, a taxa de sucesso do PACES (o primeiro ano da medicina) oscila entre 15 e 20%. Mas passar a primeira tentativa não está fora de questão, mesmo com notas justas. Foi com este credo e uma metodologia sólida, que Pierre-Axel Domicile lançou, em 2012, o site de referência para preparar o seu PACES: www.reussirmapaces.fr

O jovem preparou e passou nos exames PACES em Bordéus, em cirurgia dentária, tornando-se tutor na tutoria de Bordéus durante dois anos consecutivos, uma vez em P2. A força do site? Muitos testemunhos de ex PACES, que reforçam os tutoriais e metodologias presentes no site.

Para completar, Pierre-Axel Domicile escreveu também um livro para dar os seus próprios conselhos aos estudantes ansiosos por este ano crucial: Je vais vous apprendre à réussir la PACES”, publicado por Éditions du 46.

E se alguma vez o futuro estudante se sentir só, pode sempre contar com os 15.000 membros da comunidade www.reussirmapaces.fr no Facebook!!

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