Os Estados Unidos não farão qualquer movimento neste momento em relação ao uso de aviões americanos no bombardeamento de Sakhiet

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Washington, 27 de Fevereiro. – Nenhuma abordagem ou sugestão oficial será feita sobre a questão dos aviões americanos utilizados no bombardeamento de Sakhiet, apesar da confirmação pelo Departamento de Estado da resposta imprudente dada terça-feira à tarde a um repórter pelo Sr. Dillon. O Secretário de Estado Adjunto tinha não só admitido que uma série de aviões utilizados pelos aviadores franceses tinham sido entregues ao abrigo do programa de ajuda militar; acrescentou que seriam tomadas medidas para evitar uma recorrência. De facto, tanto no Departamento de Estado como no Pentágono, parece haver pouco desejo de empurrar o assunto neste momento, especialmente enquanto o Sr. Murphy estiver a exercer os seus “bons ofícios”

A sobrecarregar o representante dos EUA com uma controvérsia jurídica nesta fase da negociação seria complicar desnecessariamente a sua tarefa e sobrecarregar as relações franco-americanas. O argumento apresentado pelos franceses foi que o bombardeamento de Sakhiet foi um gesto de autodefesa no contexto da acção contra elementos que ameaçavam uma área coberta pela protecção da N.A.T.O. Do lado americano foi salientado que a autodefesa tinha de ser proporcional ao ataque; caso contrário, era impossível ver porque é que a força aérea francesa não iria bombardear Tunes. Em qualquer caso, a destruição de uma aldeia por bombardeamento aéreo é desproporcionada em relação aos ataques provenientes do território tunisino que os franceses relatam.

É óbvio que o Departamento de Estado não deseja exibir publicamente uma discussão franco-americana sobre a interpretação dos textos, mas é de esperar que o assunto seja abordado no Capitólio, e é isso que mais embaraça a administração.

O problema argelino, de que se procurava falar o menos possível, está a caminho de se tornar um tema de controvérsia, um “futebol político”, é dito aqui. Muitos senadores e representantes receberam cartas de protesto de indivíduos, de várias organizações, condenando a acção francesa e pedindo-lhes que interviessem. O próprio Departamento de Estado está a receber muita correspondência a este respeito. Era muito difícil para um deputado resistir a estas pressões e, especialmente se fosse democrata, não atacar a administração republicana, censurando-a por apoiar a política francesa na Argélia e participar nela, tolerando a utilização de aviões americanos. O Senador Fullbright falou ontem. Haverá outras intervenções quando a Comissão de Relações Externas do Senado iniciar a sua discussão sobre o programa de ajuda externa. De qualquer forma, de momento não é verdade, como um jornal da noite de Washington mandava na manchete, que “os Estados Unidos deram à França um aviso severo… “

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