“The Dark Hours”: Gary Oldman glorifica a verbosidade de Churchill

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Gary Oldman, como Winston Churchill, será um dos actores a vencer nos próximos Óscares pela sua actuação em “The Dark Hours” de Joe Wright, no qual traz ao ecrã um sopro épico da verborreia incandescente do “leão velho” britânico.

Embora a Igreja ardente há muito preferisse expressar-se no campo de batalha, foi através da caneta que ele conquistou as suas maiores vitórias. Para demonstrar isto, “The Dark Hours”, na quarta-feira nos teatros, é construído em torno de discursos que o então líder de 65 anos escreveu no contexto crítico do início da Segunda Guerra Mundial.

Em 10 de Maio de 1940, quando a “Batalha da França” começou, levando à invasão da Alemanha nazi dos Países Baixos, Luxemburgo, Bélgica e França seis semanas mais tarde, Neville Chamberlain demitiu-se do cargo de primeiro-ministro.

Churchill sucedeu-lhe, apesar do cepticismo do Rei Jorge VI, e já estava a ser desafiado dentro do seu próprio partido. Contudo, a hora é grave: negociar um tratado de paz com a Alemanha – que o establishment defende – ou combatê-la ainda mais duramente, uma vez que as suas tropas sofrem pesadas perdas na costa francesa.

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Or, as vidas de mais de 300.000 homens, presos em Dunquerque e nas suas praias, pendurados na balança.

Embora o filme mostre as qualidades de liderança de Churchill, a sua grande parte de dúvidas é também realçada. Gary Oldman, para quem foi realizada uma espantosa transformação física com a ajuda de próteses, oscila perfeitamente neste meio, onde as decisões da sua personagem viajam.

Para o actor britânico (“Drácula”, “The Mole”), o elemento mais decisivo no seu trabalho de apropriação da personagem permaneceu, contudo, a palavra.

“Eu queria dizer as suas palavras. Os seus discursos são a coisa mais notável sobre o género. Não são grandiloquentes nem sobrecarregados com metáforas ou imagens. Ele compreendeu as pessoas com quem estava a falar e certificou-se de que as palavras que proferiu lhes fossem directamente ao coração”, explica na nota de intenção do filme.

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-‘Nunca nos renderemos’ –

Churchill, está provado, não hesitou em sair e encontrar-se com as pessoas. Uma destas consultas improvisadas é objecto de uma sequência fictícia onde ele vai no Tubo, rodeado por londrinos estupefactos com a sua presença.

Sem discurso desta vez. O Primeiro-Ministro está a ouvir. E é quando um “Vamos erguer-nos contra a tirania” soa, que ele acaba por ser confortado na sua íntima convicção.

Isto resultará na “Operação Dínamo”, no final da qual mais de 300.000 caças serão evacuados de Dunquerque e trazidos para casa em navios da Marinha Real, ferries, arrastões, barcos de recreio…

Cincidência cinemática, o Verão passado viu o lançamento de “Dunquerque”, realizado por Christopher Nolan, que filmou estas duas semanas de combate no ar, no mar e no chão de uma forma sufocante.

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O epílogo de “Dunquerque” mostra um daqueles soldados sobreviventes a ler em voz alta o discurso de Churchill saudando a valentia das tropas e avisando o inimigo de que o Reino Unido nunca seria invadido.

O epílogo de “The Dark Hours” mostra com intensidade no seu pico Churchill fazendo o mesmo discurso recordado a 4 de Junho de 1940 na Câmara dos Comuns.

“Iremos até ao fim, lutaremos em França, lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança cada vez maior assim como com uma força crescente no ar, defenderemos a nossa ilha, custe o que custar, lutaremos nas praias, lutaremos nos locais de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas. Nunca nos renderemos”, advertiu ele na sua peroração.

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Um texto que deu esperança a todo um povo, como Churchill, aplaudido de pé pelos parlamentares, diz-se ter sussurrado a um colega: “E vamos combatê-los com rabos de garrafa partidos, porque é tudo o que nos resta”

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